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Nesta ou naquela Goleira (ZH)

Acontecerá em algum canto do novo Beira-Rio. O pai apontará para goleira e lembrará de tudo como se fosse ontem. O filho saberá, então, que ali, por onde agora avançam as folhas metálicas da cobertura arrojada e futurista, existia um incrível placar eletrônico com um não menos incrível relógio de ponteiros da casa Masson. O avô se intrometerá no assunto e tomará a palavra. Em tempos de celulares que se conectam com a Nasa, um relógio digital não impressionará o neto, sentado ali ao lado. São sábios, os avôs. 

Há muitas histórias a contar. 

Figueroa. Um chileno de cabelos que esvoaçavam a cada carrinho. Deslisava pela grama e se erguia lá adiante com a bola dominada, confiante como devem ser os capitães, altivo como todo líder, um movimento contínuo, suave feito a voo condor. Chegou a POA em 1971, declamando Pablo Neruda e dando cotovelaços em em Pinochet nas rodas intelectuais da Província de São Pedro. Naqueles anos, nossa terrível ditadura entrava na sua fase mais sombria, torturando vidas e ceifando sonhos. Ainda haveríamos de vence-la.
Era 1975. chamavam-no Dom Elias Figueroa. Ele saltou no infinito após o sinal, a meia arregaçada de Voldomiro na hora da cobrança de falta de falta, melhor que um escanteio. Lá estava estava: o raio de sol iluminado o cabeceio de Figueroa. O Beira-Rio explodia em júbilo por um grande título pela primeira vez. Caía o magnífico Cruzeiro de Raul, Nelinho,Palhinha e Joãozinho. Ali, naquela mesma goleira, insistirá o pai. Muito mais aconteceu, antes e depois.




O gol inaugural de Claudiomiro em 1969,a tabela magnifica de Falcão e escurinho em 1976, as Libertadores, Recopas Sul Americanas, e Copa Sul Americana no novo milênio, a festa do mundial com Clemer e Fernandão cantando de microfone e camisa vermelha na mão. No meio disso tudo, outras alegrias. E tristezas também, que só a lágrima oferece á dimensão exata do sorriso. Mas tudo se deu nesta ou naquela goleira. Os próximos capítulos serão contados a partir de hoje,às margens do mesmo Guaíba, quem sabe o carro da família estacionado na mesma vaga da mesma rua. Talvez parte da família esteja sentada no mesmo lugar, trocando só o concreto duro pelas cadeiras padrão Fifa. E o relógio de ponteiros pelos telões gigantes de Full HD, é claro.
Quantos clubes podem se dar o luxo de inaugurar o mesmo estádio duas vezes em grande estilo, como se eles fossem diferentes sem serem, embora quem entre neste novo Beira -Rio tenha a sensação de estar saindo do térreo para uma cobertura de luxo, tal a impressionante revolução que a festa deste sábado exibirá para o mundo? como foi o gol iluminado, aumentando a admiração pela descrição fantástica do avô. E atento ao pai "Foi nem ali,ó". Eles voltarão para viver o presente, revisitar mais histórias do passado e preparar o futuro do Inter com orgulho charme do Beira-Rio que ressurge neste 5 de Abril de 2014. É um estádio que já nasce com alma.


Texto: Diogo Olivier

Retirado do Jornal Zero Hora por: Lucas Mizael


Nesta ou naquela Goleira (ZH) Nesta ou naquela Goleira (ZH) Reviewed by Redação on 08:51 Rating: 5

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