Admirem o ídolo....Respeitem o craque!
Boa tarde, minha gente Colorada!
É com imensa satisfação que estreio aqui na rádio mais vermelha do planeta. No meu "post" de hoje estarei fazendo um "apelo". Inicialmente, para que entendam, relatarei o que presenciei no Beira Rio.
Ontem a tarde me dirigi ao estádio para adquirir ingresso para o jogo Inter x Juan Aurich. Ao sair da bilheteria fui informada que naquele momento ocorria um treino do time titular do Inter. A notícia não poderia ser tão boa quanto ao que veio a seguir. O treino era aberto. Ao entrar no estádio verifiquei já cerca de um pouco mais de 100 torcedores sentados e outros ainda encostados nas "muretas". Fui entrando e procurando um lugar. Acomodei-me num vão na "mureta" mesmo, em pé, como gosto de ficar. Foi bem divertido. Acabei conhecendo um pessoal bem legal. A torcida toda incentivando, brincando. Enfim, foi muito bacana.
Na saída do treino algumas torcedoras que assistiam o treino comigo questionaram-me de como era a saída dos jogadores e, se eles paravam para dar autográfos, etc. Eu disse que dependia muito do dia, mas que na maioria das vezes, os jogadores que saiam pelo portão da frente do Beira Rio atendiam os torcedores, sem sair do carro, distribuindo autográfos e tirando fotos. A vontade maior delas era de poder realizarem o sonho de encontrar com o jogador D'Alessandro.
D'Ale é um cara que normalmente pára o carro, abre o vidro, dá autográfos e tira fotos com os torcedores sem problemas nenhum. É um cara preocupado e humilde, mesmo na época que arriscavámos perdê-lo para os chineses. Ao sair com o carro anda sempre devagar, pois sabe respeitar as pessoas que assediam seu carro buscando um momento mágico e único de poder "estar" com o ídolo que se transformou fora e dentro dos campos. Até aí, nenhum problema.
O que aconteceu depois que D'Ale parou o carro, sim. Alguns torcedores, mais ansiosos, avançaram para cima da janela. Um deles bateu no vidro e assustou o jogador que abriu a janela transtornado. E todos sabem o que a palavra "transtornado" significa na personalidade forte e única deste argentino. É, talvez, seu traço mais marcante. Contudo e, mesmo assim, D'Ale começou a atender os que estavam já mais próximos.
Em um determinado momento, irritado com a maneira que o torcedor avançava quase para dentro do seu carro e empurrava as pessoas, ele deu sinais de que ia embora. Algumas pessoas suplicavam e, mesmo com todos os motivos do mundo para ir, ele permaneceu ali. Auxiliei algumas crianças que estavam com os pais. Supliquei que as deixassem passar. Muitas, felizmente, conseguiram tirar a foto ou pegar autográfo. Eu timidamente alcancei ao D'Ale três adesivos, um do Inter e dois do grupo Colorados e Coloradas Brasil Oficial, o qual sou moderadora. Ele pegou, olhou e agradeceu sorrindo, com um tímido e sincero - "obrigado"!
Por alguns momentos o clima se normalizou parecendo que as pessoas estavam mais tranquilas, mas infelizmente, isso não durou muito tempo. Logo começou novamente um "empurra-empurra" e D'Ale se irritou mais. Ameaçou ir embora pela segunda vez, mas continuou atendendo. Quase ao final a situação já ficava mais amena. Torcedores que já haviam conseguido seu objetivo se afastavam e agradeciam ao jogador pela atenção e o carinho. Tudo bem..certo? Não...
Quando já se encaminhava para a saída foi abordado novamente, mais a frente, por mais torcedores e parou. Começou a atender, em número menor, seus admiradores. Foi quando se irritou pela última vez naquela tarde. Um torcedor ao avançar na janela do seu carro, bateu no seu retrovisor deslocando-o (não sei se desencaixou ou se quebrou). O argentino então encerrou os atendimentos. Visivelmente consternado, balançou a cabeça e parecia dizer algumas palavras, que não consegui ouvir. E nem precisava...bastava olhar as suas expressões.
Uma das torcedoras lamentou, olhando para mim, visivelmente frustrada, disse: -"Poxa, se o rapaz não tivesse avançado pra cima e batido no retrovisor ele tinha tirado a foto comigo"! Eu já sabia disso. Sabia que naquela tarde alguns torcedores testaram a paciência de D'Alessandro ao máximo. E aí, eu comentei: -"Olha, eu tava avisando, mas muitos não me ouviram. Eu dizia: não toquem no carro, vão com calma que ele atende a todos - mas não me ouviram". Fernanda Correa, outra torcedora veio ao meu encontro e disse que se emocionou com o carinho do jogador: -"Estou com o braço machucado, ao chegar perto ele me questionou se havia sido ali, naquele momento de confusão que eu machuquei". E completou: -"Eu disse que não, que já estava machucado, mas a preocupação do jogador comigo me surpreendeu".
Contei esta história para fazer um apelo ao torcedor que gosta de aguardar a saída dos jogadores do Inter, seja após os treinos, seja após os jogos. Admirem o ídolo, mas respeitem o craque, ou seja, o jogador. Não presenciei isso apenas ontem. O fato se repete sempre, mesmo com outros jogadores, como Damião. Explica a profunda paixão que temos, mas não justifica nossas atitudes perante a isso.
Como escrevi em uma matéria publicada ontem, em outro site, existe uma diferença entre o torcedor de verdade e de muitos que se dizem torcedores por aí.
Por isso eu apelo. A conscientização da torcida tem que existir, seja dentro ou fora do estádio. Seja em momento de jogos ou de treinos. Seja em eventos fora do Beira Rio e até mesmo na rua. Respeitem nossos jogadores. São eles que carregam o nosso orgulho a cada a cada partida. São eles que embalam nossos sonhos e aquecem nossas vitórias. Não falo em nome somente de Andrés Nicólas D'Alessandro. Falo em nome de Indio, Cleber, Damião, Muriel, Dátolo, etc..Enfim, todo nosso glorioso elenco tão digno de nosso respeito e de nossa educação quanto qualquer um.
Com isso, todos saem no ganha-ganha: o jogador que é reconhecido em seu esforço e o torcedor que leva para casa uma lembrança, um instante inesquecível de um pedaço, ainda que seja um milésimo, do tempo da vida deste jogador. Tudo com calma, serenidade e acima de tudo, respeito. Senão ao ídolo, ao ser humano que são. Se um dia perdermos essa oportunidade que temos, e que nem todo clube permite, lamentaremos profundamente, mas saberemos os reais motivos disso. Então, ainda há tempo de mudar isso. Fica a dica.
Admirem o ídolo....Respeitem o craque!
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O texto escrito pela colorada Lutche Mansur está corretíssimo. Se as pessoas se conscientizassem e soubessem abordar o seu ídolo, com certeza todos sairiam ganhando. Devemos deixar nossos jogadores a vontade...nada de histerias, correrias e empurra-empurra. É tão fácil fazer isso, basta organizarmos. Belo texto, Lutche! Que ele sirva para que as pessoas se comportem nas próximas vezes. Um abraço a todos os colorados e coloradas do planeta. Carlos Menezes
ResponderExcluirOi, Lutche. É a primeira vez que entro neste blog e não estou arrependido disso. Muito bom este espaço.
ResponderExcluirLutche, eu concordo plenamente contigo. Tem muito torcedor mal educado, mesmo.
Mas, convenhamos... há muitas crianças que ficam ali nos arredores do Celeiro de Ases. Já fui lá pra esperar a saída dos jogadores e sem muito bem como é isso.
A quantidade de crianças e meninas são muito grande. Aliás, há mais meninas e crianças do que torcedor homem, rapazes, senhores.
Ou seja, mais parece fãs de personalidades do que torcedores (de fato) do Internacional.
Isso me deixa constrangido, muitas vezes.
Abraços, Lutche.
ééé...
ResponderExcluiracho que agora o ídolo é o Jajá Coelho...
viu só?
ele fez 2 gols e deu 2 assistências.
D'ale não estando em campo o time joga melhor do que quando está.
ele estando em campo é cercado por vários e ele, mesmo assim continua recebendo as bolas!!!